Ontem à noite assisti um filme no GNT, e eu só comecei a assisti-lo porque achei que a atriz fosse a Scarlett Johansson. Eu não simpatizo com ela mas a tinha achado bonita naquele filme, de perfil, surtando em cima de um prédio, e só depois de alguns minutos percebi que não era a Scarlett.
Mas em pouco tempo o filme já introduziu do que se tratava – a personagem Nina Patterson era uma mulher interessante, inteligente porém era esquizofrênica. Tinha surtos horríveis e herdou isso da família – muitos já haviam morrido, inclusive a mãe dela.
Já no começo do filme as crises estão controladas devido ao medicamento. Ela foi criada pelo pai e o tio também acompanhou seu crescimento, sendo ele um dos neurologistas mais reconhecidos do país. Sempre a apoiou, inclusive a contratou como técnica para auxiliar nos exames de ressonância magnética – era ela quem lidava com os pacientes. Seu tio deixava por conta dela e só via o exame quando estivesse pronto. Com o passar do tempo ela passou a conseguir “analisar” amadoramente o exame de RM, ver quando o paciente tinha problemas, como, por exemplo, tumores.
Certo dia foi então um homem fazer a RM e os dois simpatizaram um com o outro. Enquanto ela fazia a ressonância dele, a esposa o esperava. Nina viu que ele não tinha nada embora não pudesse se manisfestar a respeito. Mas dias depois aparece no jornal que um tal milionário (o cara que foi fazer o exame) morreu de tumor no cérebro. Ela ficou confusa porque ela não tinha visto tumor nenhum. Ao procurar as chapas do exame no arquivo, o envelope estava vazio.
Então começa verdadeiramente a história do filme, o suspense.
Nesse meio tempo ela começa a namorar um cara meio nerd, meio gênio fracassado mas divertido, e ele começa a apoiá-la mesmo depois de ter descoberto o problema de saúde dela. Ela consegue entrar na faculdade de Medicina pois foi trabalhando com o tio que ela se apaixonou pela profissão.
O problema é que com a história do milionário ela começa a achar que está entrando em crise de novo, vendo coisas, e duvidando da capacidade dela de ter interpretado corretamente o exame. O tio dela foi o responsável pelo laudo e ao conversar com ele, ele a mandava descansar pois ela estava surtando, sugeria que estivesse ficando sobrecarregada com a faculdade e estaria vendo coisas, ouvindo coisas… é, ela ouvia cachorros latindo mas não havia cachorro algum, e ouvia vozes dando ordens a ela mas não era ninguém. Ela tomava o medicamento dela para evitar as crises mas continuava “surtando”, cada vez mais percebendo coisas estranhas na história do milionário. Nina achava que estava certa mas todos diziam que ela estava errada, que era imaginação, mania de perseguição, ou seja, sintomas típicos de esquizofrênicos. E como ela já tinha passado por surtos antes, ela se convence de que o que ela percebe na verdade não é real, como inúmeros surtos que ela teve durante a vida dela.
Foi internada em um hospital psiquiátrico e a enfermeira de lá diz que o comprimido que ela toma é qualquer coisa exceto o remédio para a esquizofrenia. Então ela “pira” mais ainda. Como assim? Bem, no final da história, [spoiler] e eu vou contar aqui porque ninguém vai conseguir assistir esse filme mesmo, ela descobre que o tio dela, que ela tanto apreciava, espalhava caixas de som com vozes e latidos pela casa dela, trocava o remédio dela para que ela realmente surtasse e a contratou para trabalhar com ele porque se ele fizesse algo errado ninguém daria crédito para a denúncia de uma “louca”. Ou seja, ele usou da confiança e doença dela, induziu-a a surtos que estavam controlados, para descreditá-la caso ela percebesse o crime.
Foi ele quem matou o milionário, unido à esposa do cara, pois ele era viciado em jogos de azar e tinha uma dívida milionária e viu no crime uma maneira de conseguir pagar as dívidas.
Bom, apesar do filme ter uns clichês eu achei muito legal fazerem um filme com uma personagem esquizofrênica que consegue ter vida “além do manicômio”. Quebra todos os estereótipos de loucos que vemos por aí. É uma menina determinada, esperta enquanto lúcida, que compreende que ela mesma surta, inclusive analisa os vídeos dela surtando, se apaixona por medicina e consegue manter uma vida saudável, dentro dos limites dela. Porém devido ao estigma em torno da doença e ao pânico que tem de ter o surto na frente de pessoas, passa a desenvolver alguns problemas emocionais, como, por exemplo, se afastar das pessoas, não entrar em relacionamentos amorosos, não curtir festas e coisas assim.
Me identifiquei com uma parte da história. Não tenho esquizofrenia; “só” surtos de desmaios esporádicos. (huumm…) Deixei de ter amigos e romances devido ao medo de passar mal na frente deles. Desenvolvi problemas emocionais devido ao isolamento e sofrimento com as minhas crises. E o que eu mais me identifiquei com a história dela é a crise do não saber se o que sente é real ou imaginário. O desespero de não poder confiar no próprio senso crítico. Parece até idiota escrever isso mas é muito sofrido.
São problemas cerebrais completamente diferentes, eu devo agradecer a Deus por eu não ter esquizofrenia porque eu adoro minha consciência de ser e perdê-la seria realmente a morte. Mas os sintomas emocionais, o medo de ser rejeitada pelos outros, o pânico, a vergonha da sociedade, mesmo sendo capaz de uma vida normal… bem, eu só sei que gostei de ver uma faceta minha retratada em um filme. Quem nunca passou por essas coisas talvez assista o filme como se fosse mais um. Mas eu adorei. :o)
Fora isso, achei a atriz linda de morrer. O nariz dela de perfil é lindo. Procurei na internet e vi que ela tinha participado de House uma vez. Sabia que eu já a tinha visto! E naquele episódio de House, série que eu não assisto, eu parei para assistir porque tinha achado a menina muito cativante. Não, eu não sou homem nem me sinto atraída por mulheres. É só que às vezes se a gente pudesse escolher um rosto para ter, eu pensei naqueles momentos que eu escolheria o dela. Pelo menos maquiada. :oÞ Mas no filme ela nem era tão maquiada – ficou bem mesmo tendo surtos psicóticos, com olheiras e tudo. (e convenhamos, surtos psicóticos são assustadores!)
Só queria entender porque eles colocam o esquizofrênico surtado em uma banheira com gelo… acho que vou perguntar para a professora de psicologia.
Tipping Point (2007) (Ponto de Equilíbrio)
Suspense, Romance
Com: Kathryn Winnick, Nicolas Wright, Chuck Shamata, Karl Pruner