Publicado por: freya | 27/12/2009

Contra o suicídio: urotropina!

Ontem recebi a revista do IDEC e deparei-me com a seção abaixo, onde são reproduzidas algumas propagandas antigas que usavam de artifícios para conquistar clientes e alavancar as vendas.

Além do trecho acima, o que também me chamou a atenção foi o fato de no início do século XX já existir produtos “miraculosos” que prometiam combater o “mal-estar da vida moderna” – da mesma forma que existe hoje. Os produtos que prometem aliviar o tal mal-estar culpam a vida moderna pela depressão, pelas doenças, e pelo stress – este causado pelo individualismo, ansiedade, luta ferrenha por sobrevivência, falta de tempo, trabalho excessivo.

Antes da “vida moderna”, as pessoas tinham depressão, mal-estar e problemas de saúde relacionados a stress? Elas se estressavam? Porque do jeito que falam hoje em dia, parece-me que todos os males atuais são causados pelo estilo de vida “moderno”. Também me recordo de, há um mês aproximadamente, ter me deparado com uma notícia internet afora sobre problemas cardiovasculares em múmias egípcias. As reportagens questionavam que, diante da descoberta, os males da vida moderna não eram os únicos responsáveis pelas doenças do coração. (Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11373/divulgacao-cientifica/problema-moderno-e-antigo.htm)

O que seria então um mal-estar exclusivo do mundo moderno e o que seria um mal-estar exclusivo de ser humano?

Às vezes penso que o único remédio eficiente para um mal-estar exclusivo do mundo moderno é mudar de mundo. Ou mudar o mundo.

Porque todo o resto será meramente analgésico, paliativo – podem tirar momentaneamente a dor. Mas a causa raiz continuará agindo sobre nossa mente e corpo. E viver de paliativos não seria fugir da missão de melhorar a vida que vive?

Publicado por: freya | 27/12/2009

Atraso freqüente

Ainda bem que e-mails pessoais não são contas com data de vencimento. Caso sim, eu estaria seriamente endividada até o pescoço e teria que trabalhar para pagar dívidas. As multas e juros teriam me engolido de certa forma que para o resto da vida eu nunca mais poderia ter patrimônio algum no meu nome pois eles seriam confiscados pelos milhares de processos contra mim. Eu nunca mais poderia ter minha casa própria, nem um carro – pois o valor do meu inadimplemento seria tão impossível que eu envelheceria sem conseguir quitar os débitos, sendo qualquer patrimônio que porventura eu conseguisse confiscado pela Justiça.

Eu amava receber e-mails. Menos do que cartas. Ah, as cartas! Se elas também fossem contas com data a vencer minha dívida só se agravaria. Mas eu amava as cartas e os e-mails e os cartões. Havia uma época em que eu gostava até de cartões virtuais! E quem diria, eu já fui viciada em ICQ e MSN. Eu participava ativamente de listas de discussões e fóruns virtuais – eram os meus “barzinhos virtuais” onde eu conhecia pessoas, fazia amigos e até paquerava. Puxava papo com seres pela internet afora, visitava milhares de sites e mandava e-mail para os donos dos sites, e quando eu fiz o meu site eu respondia as mensagens com a maior felicidade. Cada e-mail que eu recebia pelo meu site era um alarde aqui em casa, sinal de que meu sitezinho humilde estava sendo visto.

Atualmente, tudo mudou. Aquela pessoa virtualmente socialmente ativa se transformou em um bibelô no meu passado, do qual eu tenho vaga lembrança. Eu era ativa? Rápida? Por que fiquei assim? …inerte? Porque o inerte é diferente do que despreza. Eu já deixei de responder por  real desinteresse. As pessoas às vezes não nos apetecem. Não combinam, não agradam, causam ânsia, tédio enfim. A situação é outra agora. Eu deixo de responder pessoas com que simpatizo, ou tenho alguma história, ou que merecem no mínimo um grande respeito meu. Pessoas que eu gosto.

Eu já perdi penpals legais por causa da minha inércia. As últimas cartas daquelas pessoas hoje jazem do túmulo da caixa das minhas cartas antigas. Será que elas ainda lembram de mim como eu lembro delas? Será que se importaram? Ou será que eu era apenas “mais um” envelope na caixa de correio?

Também já perdi amigos virtuais por inércia. Talvez eu ainda tenha os e-mails guardados, esquecidos. Depois do advento das contas de e-mails ilimitadas, você não precisa mais apagar suas mensagens por consumo do limite de espaço. Lembro que eu me matava para apagar as mensagens no Yahoo! há milhares de anos atrás quando só havia 2MB de espaço. Mas com contas agora ilimitadas, nunca mais precisei apagar, embora ainda apague lixo. Mas as pessoais eu deixo. Por isso há muitas mensagens abandonadas por mim na minha caixa de entrada que não respondi, e muitas foram então por inércia: eu queria responder mas não respondi e enfim, passou tempo demais.

Eu tenho alguns e-mails de pessoas que fizeram muito por mim e que sei que gostam de mim, e eu gosto delas, mas os e-mails estão esperando ser respondidos há algum tempo. O pior de tudo é que são pessoas que estão na minha lista de amigos do Orkut, porque afinal das contas são amigos, daqueles poucos que adiciono, e que se quiserem fuçar, verão que eu troco scraps constantemente com outros amigos, ou seja, estou online, e tenho “tempo” mesmo em meio a provas e estudos.  No mínimo prestar satisfação?

E no final das contas, cai a culpa como uma bigorna do maior navio do mundo na minha cabeça e eu fico sempre procurando encontrar uma resposta para a pergunta da minha vida: por que eu não faço diferente? Eu sofro por culpa e não mudo? Não são nem 15 minutos para responder uma mensagem e dar atenção para alguma pessoa que pode se magoar muito com o meu comportamento. Não dou mais nem desculpas, nunca fui de dar desculpas. Mas essa situação não é legal e eu não mudo. E estou nesse comportamento viciado há anos.

Tenho fases em que fico socialmente produtiva e comunicativa. É bem interessante. Mas o meu dia a dia com minhas procrastinações são um martírio. Deve haver alguma explicação, alguma razão maior para tanta demora, tanto adiamento, tanto descompromisso. Eu queria muito que as pessoas não se importassem e não sofressem. Não tem a ver com elas, não é pessoal. É com o mundo inteiro. (exceto com minha mãe e namorado)

Em julho, um primo “sumido” me escreveu. Eu respondi na seqüência duas vezes, em curto espaço de tempo, e na terceira prometi que mandaria uma apostila para ele por correio. Já é dezembro e ele está sem a apostila. É. Apostila que se não fosse o pai dele eu não teria em mãos. Eu sei que era um favor que eu estava fazendo, pois ele tinha perdido a dele e eu é que me ofereci para enviar uma cópia por correio – mas isso não me dá o direito de ser tão lerda e descompromissada. É por essas atitudes que eu me odeio.

Eu queria descobrir o nome certo para isso. É procrastinação? É desinteresse? É lerdeza? É descompromisso? É problema mental? É preguiça? Ou a minha concepção de tempo é diferente da dos outros? Será?

Uma vez a pessoa que inclusive hoje espera uma resposta faz dois meses me disse que eu estava vivendo num complexo de Bela Adormecida. Adormecida e vivendo à parte. Não percebendo as coisas ao redor, vivendo no seu próprio tempo, esperando um resgate. Que a estória da Bela Adormecida era uma metáfora de jovens que vivem em uma situação mais ou menos assim. Talvez ela quis fazer eu me sentir melhor pela minha culpa da demora em responder, pois eu estava pedindo desculpas pela demora.

Mas se for verdade… o que seria então a situação/beijo que me acordaria? E se não for… quando eu vou tomar jeito?

Publicado por: freya | 11/12/2009

Perdendo futuros

Tempero pequenas visões de felicidade com temperos sórdidos de futuros dolorosos. Saboto aquelas imaginações para que elas não morram queimadas pela realidade. Pensei, e podei. Não deixo de lá crescer ramos de desejos de vivências que implicariam na destruição das circunstâncias presentes.  Os sonhos nascem espontâneos e automaticamente são temperados pela tristeza de suas impossiblidades. Fazem brotar sensações daquelas que nasceriam somente no futuro acontecimento. Ah mas que tantas impossibilidades, filhas algumas de causas externas e outras de internas, tão mais brutais que as primeiras. Cruéis por carregarem no fundo a possiblidade, sendo fatidicamente filhas de escolhas.

E sonhos censurados sempre duram mais, transcendem em força e causam pressões inimagináveis. Dor.

Quanta escravidão de conceitos e de sis passados; quanta submissão ao mimo de querer vivenciar tudo. E como vivenciaria tudo, se intrinsicamente tantas vivências supõem a não vivência de outras?

Escolher é optar pela dor de perder um futuro. É abortar vários bebês e como não chorar seus velórios? Como não ficar de luto? Já que a escolhida satisfaz mas não sacia… e os sorrisos convivem com as lágrimas, em uma relação inevitável e inadiável.

Publicado por: freya | 10/11/2009

Prazer e tormento #2

 

 

1 prazer:

consciência tranqüila

1 tormento:

medo de sentir medo

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Publicado por: freya | 23/10/2009

Tipping Point & Me

tipping pointOntem à noite assisti um filme no GNT, e eu só comecei a assisti-lo porque achei que a atriz fosse a Scarlett Johansson. Eu não simpatizo com ela mas a tinha achado bonita naquele filme, de perfil, surtando em cima de um prédio, e só depois de alguns minutos percebi que não era a Scarlett.

Mas em pouco tempo o filme já introduziu do que se tratava – a personagem Nina Patterson era uma mulher interessante, inteligente porém era esquizofrênica. Tinha surtos horríveis e herdou isso da família – muitos já haviam morrido, inclusive a mãe dela.

Já no começo do filme as crises estão controladas devido ao medicamento. Ela foi criada pelo pai e o tio também acompanhou seu crescimento, sendo ele um dos neurologistas mais reconhecidos do país. Sempre a apoiou, inclusive a contratou como técnica para auxiliar nos exames de ressonância magnética – era ela quem lidava com os pacientes. Seu tio deixava por conta dela e só via o exame quando estivesse pronto. Com o passar do tempo ela passou a conseguir “analisar”  amadoramente o exame de RM, ver quando o paciente tinha problemas, como, por exemplo, tumores.

Certo dia foi então um homem fazer a RM e os dois simpatizaram um com o outro. Enquanto ela fazia a ressonância dele, a esposa o esperava. Nina viu que ele não tinha nada embora não pudesse se manisfestar a respeito. Mas dias depois aparece no jornal que um tal milionário (o cara que foi fazer o exame) morreu de tumor no cérebro. Ela ficou confusa porque ela não tinha visto tumor nenhum. Ao procurar as chapas do exame no arquivo, o envelope estava vazio.

Então começa verdadeiramente a história do filme, o suspense.

Nesse meio tempo ela começa a namorar um cara meio nerd, meio gênio fracassado mas divertido, e ele começa a apoiá-la mesmo depois de ter descoberto o problema de saúde dela. Ela consegue entrar na faculdade de Medicina pois foi trabalhando com o tio que ela se apaixonou pela profissão.

O problema é que com a história do milionário ela começa a achar que está entrando em crise de novo, vendo coisas, e duvidando da capacidade dela de ter interpretado corretamente o exame. O tio dela foi o responsável pelo laudo e ao conversar com ele, ele a mandava descansar pois ela estava surtando, sugeria que estivesse ficando sobrecarregada com a faculdade e estaria vendo coisas, ouvindo coisas… é, ela ouvia cachorros latindo mas não havia cachorro algum, e ouvia vozes dando ordens a ela mas não era ninguém. Ela tomava o medicamento dela para evitar as crises mas continuava “surtando”, cada vez mais percebendo coisas estranhas na história do milionário. Nina achava que estava certa mas todos diziam que ela estava errada, que era imaginação, mania de perseguição, ou seja, sintomas típicos de esquizofrênicos. E como ela já tinha passado por surtos antes, ela se convence de que o que ela percebe na verdade não é real, como inúmeros surtos que ela teve durante a vida dela.

Foi internada em um hospital psiquiátrico e a enfermeira de lá diz que o comprimido que ela toma é qualquer coisa exceto o remédio para a esquizofrenia. Então ela “pira” mais ainda. Como assim? Bem, no final da história, [spoiler] e eu vou contar aqui porque ninguém vai conseguir assistir esse filme mesmo, ela descobre que o tio dela, que ela tanto apreciava, espalhava caixas de som com vozes e latidos pela casa dela, trocava o remédio dela para que ela realmente surtasse e a contratou para trabalhar com ele porque se ele fizesse algo errado ninguém daria crédito para a denúncia de uma “louca”. Ou seja, ele usou da confiança e doença dela, induziu-a a surtos que estavam controlados, para descreditá-la caso ela percebesse o crime.

Foi ele quem matou o milionário, unido à esposa do cara, pois ele era viciado em jogos de azar e tinha uma dívida milionária e viu no crime uma maneira de conseguir pagar as dívidas.

Bom, apesar do filme ter uns clichês eu achei muito legal fazerem um filme com uma personagem esquizofrênica que consegue ter vida “além do manicômio”. Quebra todos os estereótipos de loucos que vemos por aí. É uma menina determinada, esperta enquanto lúcida, que compreende que ela mesma surta, inclusive analisa os vídeos dela surtando, se apaixona por medicina e consegue manter uma vida saudável, dentro dos limites dela. Porém devido ao estigma em torno da doença e ao pânico que tem de ter o surto na frente de pessoas, passa a desenvolver alguns problemas emocionais, como, por exemplo, se afastar das pessoas, não entrar em relacionamentos amorosos, não curtir festas e coisas assim.

Me identifiquei com uma parte da história. Não tenho esquizofrenia; “só” surtos de desmaios esporádicos. (huumm…) Deixei de ter amigos e romances devido ao medo de passar mal na frente deles. Desenvolvi problemas emocionais devido ao isolamento e sofrimento com as minhas crises. E o que eu mais me identifiquei com a história dela é a crise do não saber se o que sente é real ou imaginário. O desespero de não poder confiar no próprio senso crítico. Parece até idiota escrever isso mas é muito sofrido.

São problemas cerebrais completamente diferentes, eu devo agradecer a Deus por eu não ter esquizofrenia porque eu adoro minha consciência de ser e perdê-la seria realmente a morte. Mas os sintomas emocionais, o medo de ser rejeitada pelos outros, o pânico, a vergonha da sociedade, mesmo sendo capaz de uma vida normal… bem, eu só sei que gostei de ver uma faceta minha retratada em um filme. Quem nunca passou por essas coisas talvez assista o filme como se fosse mais um. Mas eu adorei. :o)

katheryn winnickFora isso, achei a atriz linda de morrer. O nariz dela de perfil é lindo. Procurei na internet e vi que ela tinha participado de House uma vez. Sabia que eu já a tinha visto! E naquele episódio de House, série que eu não assisto, eu parei para assistir porque tinha achado a menina muito cativante. Não, eu não sou homem nem me sinto atraída por mulheres. É só que às vezes se a gente pudesse escolher um rosto para ter, eu  pensei naqueles momentos que eu escolheria o dela. Pelo menos maquiada. :oÞ Mas no filme ela nem era tão maquiada – ficou bem mesmo tendo surtos psicóticos, com olheiras e tudo. (e convenhamos, surtos psicóticos são assustadores!)

Só queria entender porque eles colocam o esquizofrênico surtado em uma banheira com gelo… acho que vou perguntar para a professora de psicologia.

Tipping Point (2007) (Ponto de Equilíbrio)
Suspense, Romance
Com: Kathryn Winnick, Nicolas Wright, Chuck Shamata, Karl Pruner

Publicado por: freya | 19/10/2009

Oração de Lóri

Andrey Hepburn

Lóri quando no meio de seu ceticismo cai em prece:

(Não, não devia pedir mais vida. Por enquanto era perigoso. Ajoelhou-se trêmula junto da cama pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor): alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sonho que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.”

Pg. 56
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector

Publicado por: freya | 16/10/2009

Prazer e tormento #1

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1 prazer:

matar a sede

1 tormento:

ver/ouvir alguém judiando de um animal

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Publicado por: freya | 14/10/2009

Sonho e coincidência

Há três dias atrás minha mãe me perguntou se eu lembrava quando eu tinha contado a ela que eu tinha sonhado com a amiga dela. Eu tinha sonhado que a amiga dela estava muito doente, e tinha sido um sonho muito “estranho”. (‘estranho’ é uma palavra legal que define bem meu momentos de ineficiência de encontrar A palavra correta) O sonho foi durante as férias, em julho.

Contou-me minha mãe que agora a amiga dela está de cama pois está com câncer, tendo acontecido um grande inferno na vida dela desde agosto. Ela estava no escritório da advogada e simplesmente desmaiou, capotou no chão, e depois disso não voltou ao normal. Está de cama desde então, não podendo trabalhar, com metade do corpo paralisado. Semana passada recebeu o diagnóstico final de câncer na hipófise depois de fazer um exame de ressonância magnética. (a hipófise fica em uma região muito delicada para se operar)

Minha mãe ligou meu sonho com o que aconteceu de verdade. A princípio eu não dei bola mas fiquei pensando nisso depois. Eu não tenho contato com a amiga dela, nem envolvimento emocional para ter “detectado” algo. O que ninguém conseguirá me responder, nem eu mesma, nem a “ciência”, é: o sonho tinha algo a ver com isso? Uma percepção, um sinal ou qualquer coisa?

Eu prefiro pensar que fatos reais não têm a ver com sonhos passados, é coincidência. Porque se eu acreditar em ‘previsão’ e eu sonhar com algo ruim então passarei dias com medo daquilo acontecer.

Publicado por: freya | 14/10/2009

Sonho e estampido

A magazine illustration from circa 1910sFui deitar depois da meia-noite de hoje e sofri um pouco para conseguir dormir. Não sei quanto tempo depois ocorreu porém eu entrei em um sonho rápido e acordei com um “estampido”, não existente no mundo material. Eu lembrei desse som – era muito parecido com um que ouvi em 2006 quando estava doente na cama.

Mas nesses segundos/minutos de breve sonho, eu estava deitada em cima de uma água (água?) cor escura – no sonho, era uma água do Pantanal. E essa água, como toda porção de água, tinha algumas ondas leves, como aquelas de quando a gente joga uma pedrinha e a onda vai crescendo, crescendo, crescendo até terminar na beira do lago/rio. E meu corpo deitado ali acompanhou uma ondinha, e enquanto a ondinha passava pela água passava ao mesmo tempo pelo meu corpo, bem devagar, indo da cabeça, tronco, ventre e até os pés. E vi de longe eu deitada ali naquele carpete aquático tendo aquela onda interna percorrendo meu corpo e acordei então do sonho com o estampido, aquele estampido conhecido, que fazia anos que eu não ouvia. É um estampido, na minha compreensão, muito espiritual, não no sentido tosco da palavra.

No que acordei fiquei pensando nisso, era como se uma onda de energia tivesse realmente percorrido meu corpo enquanto eu estava deitada na cama. Lembrei das experiências estranhas de 2006, e lembrei da ‘onda dourada’ que percorreu o corpo do Joey há alguns meses atrás quando ele estava se espreguiçando no meu quarto. Minhas alucinações são muito tranqüilas e pacíficas. Chegam a ser românticas.

Durante a tarde de ontem eu tinha respondido uma carta da Gökçe, minha penpal da Turquia, e estávamos falando sobre sexto sentido. Ela tinha me perguntado se eu acreditava em videntes e eu disse que não. Mas eu nunca fui em uma, minha mão nunca foi lida, nem fiquei diante de uma bola de cristal, então na verdade eu estou errada em discriminar uma vidente como charlatã. Meus pais é que passaram esse preconceito para mim, sempre quiseram me alertar dos charlatanismos da vida. Porém a questão é: como posso afirmar? Adoraria ter meu futuro lido e após isso poder dar razão aos meus pais e confirmar meu pré-conceito. Porém o preconceito é tão grande contra “videntes” e coisas “paranormais” que nem me daria a chance sequer de tentar.  :p

No período da tarde o Fernando estava aqui em casa e eu perguntei se ele acreditava em “algumas coisas” e ele não acredita em nada. Eu sempre fui cética até as experiências de 2006, ele bem sabe. Já tinha contado para ele mas perguntei de novo o que ele achava e ele disse que era o remédio forte que eu estava tomando. Eu me ofendi, achei uma visão muito reducionista das minhas experiências espirituais. :p Contei aquela história do coma do meu pai, de meu pai ter me mandado um beijo enquanto estava em coma – ele só respondeu que é tudo meio maluco. Ele só acredita vendo, mesmo sendo eu contando, a ex-cética. Porque já fui muito cética antes de virar adulta.

É, meu ceticismo sempre foi forte até viver coisas “diferentes”. O sonho da ‘onda’ teria sido só mais um sonho não fosse o estampido. O estampido me lembra 2006.

Publicado por: freya | 07/10/2009

Assistindo o fluxo de idéias…

conexão de ideias Parei. E fechei os olhos. E senti muita coisa ao mesmo tempo… muitas vontades e desejos, muitas idéias querendo ser cuspidas para fora, muitas idéias pedindo exclusividade e atenção, com medo de que eu as perdesse e as abandonasse. Queriam que eu me dedicasse a descrevê-las e então, assim, sossegavam. Estariam eternizadas em algum canto virtual por detrás dessa tela, prontas para serem pegas e adotadas por outro alguém. Como uma colônia de bactérias, querem ser disseminadas, e crescem a cada cérebro que atingem. Mas morrem se este as esquece e não as passa adiante, seja em palavras verbais, ou em palavras escritas. Podem fazer bem, podem fazer mal, depende ao quê são somadas e com que intenção foram adotadas.

São estragadas pela inocência, que esconde medos, fugas e falta de experiência. São estragadas pela “consciência burra”, que esconde a inocência de si mesmo, e o desconhecimento do que se leva a adotar certos pensamentos. São estragadas pelos que as adotam como únicas e não as deixam procriar – morrem burras e sufocadas pela mesmice.

Nos vales férteis da consciência livre encontram espaço para crescerem e se desenvolver. Costumam andar às vezes de mãos dadas com a consciência, e, às vezes, causam a liberdade desta, que atrai de uma só vez tantas possibilidades, como se de uma só vez ramificassem diversos caminhos frente a si.

Tão interessante como uma mente virgem, é a mente cheia de idéias, que em uma louca lucidez presenteia com sensações sem-nome, talvez até como psicoses deliciosas quando vividas individualmente, ou como diálogos orgásmicos com outra mente que venha a somar e causar um fluxo intenso de idéias como se cá dentro na mente houvesse órgãos que sintam carícias e chacoalhadas, que arrepiam-se, reagem e entrosam-se.

Bettens me sugere uma cadeira dentro da mente, onde senta e observa. Eu aceito a idéia, e arranjo a minha. E quero assistir as idas e vindas, o fluxo, as sombras e ‘insights’, sem me envolver em preconceitos mas sim despetalando cada idéia-moça que passe, perguntando a origem das antigas, e como uma empreendedora, investindo nas novas. Busco também por originalidades cá dentro, sem origem em livros, escolas ou discursos. Saio à caça das idéias intrusas que me impuseram quando eu ainda não sabia lidar com estas, para consertá-las ou expulsá-las. Como mãe-coruja assisto minhas crias com amor e sinto ciúmes de quem queira as adotar; e já me pego sendo parcial, mesmo quando assisto tudo de camarote e resolvi não me envolver.

Vejo idéias quietas sentadas tímidas e fazendo suas coisas do dia a dia. Estão tranqüilas pois já as passei adiante. Andam calmamente pelas minhas entranhas neurais sempre tão compreensivas com as outras que estão afoitas e querem ser passadas adiante também. Algumas conversam com as rebeldes e por vezes, as anulam.

Sim, posso ver que nem todas merecem minha atenção; que nem todas são bons frutos. Idéias impulsivas e que tem inconscientes perigosos por trás de si não me fariam bem se eu as passasse adiante – apesar da liberdade, também tenho que ser responsável.

Agora pouco uma delas fazia de tudo para chamar minha atenção – queria ser transmitida. Eu disse que esperasse, eu estava tendo problemas para organizá-la. E então ela me viu lendo um texto onde ela estava. Sossegou. Anda saltitando pelas partes férteis de minha mente, feliz por ser paradoxalmente original em duas mentes ao mesmo tempo.

Algumas após se verem já transmitidas por outros me deixaram preguiçosa de passá-las. Elas ainda reivindicam uma abertura minha para que saiam com minhas palavras e minha maneira de organizá-las. Freqüentemente saem em luta com a preguiça da minha inspiração ou com meios externos que afetam minha vontade em ajudá-las a nascer no mundo real. Ficam chateadas. Algumas sumiram. Algumas já esqueci.

E eu, já chorei pela perda de algumas que não tive tempo de desenvolver. Eu sabia que elas tinham potencial. Às vezes penso que cometi um atentado terrorista contra o mundo. Torço que elas brotem na mente de mais alguém nesse mundo tão grande e que alguém cuide delas como eu não pude por falta de tempo ou atenção.

Vejo muitas brigas, disputa de poder. As idéias polares são complicadas e minam o nascimento de outras. A tal da idéia Certa é muito forte, tanto quanto a Errada – e eu já abri mão delas. Vejo tantas outras opções que hoje já não fico mais no certo ou errado. São patéticas. Anulam tanta coisa boa, e são carregadas de preconceitos.

No fundo, mesmo como espectadora de minha própria mente, mesmo sentada naquela cadeira tentando apenas observar, consigo pular de um lado para outro, sem barreiras de tempo e nem espaço, vigiar e interferir, e sentir no corpo qualquer movimento cá na mente adentro. Arrepios – ou náuseas. Tonturas – ou êxtase. Pensamentos que infernizam – pensamentos que aliviam – que se consolam – que me consolam – e que me chicoteiam. Cortam, ARDEM. E os amo por isso.

E quando acho que vou perder o controle, eu o recupero. E quando acho que vou controlar tudo, o perco definitivamente. E amo muito tudo isso.

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